Qual o segredo das empresas que constroem times que pensam como donos?

29 de Março , 2018

Há alguns dias eu estava em reunião com um cliente, dono de empresa, juntamente com sua principal gerente. Chamou-me a atenção o fato de ela mencionar a seguinte frase: “eu gostaria até de intervir mais, mas tenho medo que as pessoas achem que eu me sinto a dona.” Eu, fui curiosamente surpreendida com essa fala, pois não seria este o grande sonho de todo(a) empresário(a)?  Ter no seu time, pessoas que sentem e agem como donas? Que fariam tudo para resolver problemas, tomar decisões, agir em prol do objetivo como se pagassem a conta? Creio que sim, e por isso resolvi pensar e escrever o que a experiência me mostra quando se trata desse assunto.

Ter pessoas que pensem e ajam como donas, é o seu e também o sonho de 9 entre 10 empresário(as) que eu conheço, o sonho de poder desligar e saber que tem uma equipe altamente comprometida e capaz de fazer como faria se você estivesse junto ou olhando. Mas como tornar esse sonho uma realidade? Como ter na empresa pessoas que antes de mais nada são comprometidas com a qualidade e com os resultados do negócio?

Para mim, essa é uma resposta simples, mas não fácil. É simples porque se compreende facilmente, mas não fácil porque a prática nem sempre. Esbarra-se em crenças, atitudes e comportamentos regressos que precisam ser enfrentados e superados por alguns empresário(a)s e gestores . Porém, eu garanto, quem experimenta percebe que vale a pena.

Em primeiro lugar, você precisa escolher as pessoas que realmente se preocupam. Sim, existem pessoas que não se preocupam. É verdade, algumas pessoas podem estar em condições altamente favoráveis, mas não irão encarar a responsabilidade de fazer bem feito. Essas,  você precisa saber identificar e convidá-las a aprender  e se desenvolver em outro lugar. Saber identificar pessoas com valores de dono e tê-las em maioria no seu time, é uma importante competência de um bom líder.

Agora, reconhecido isso, tudo resolvido? Absolutamente não. É então que você precisa reconhecer que seu time é formado por seres humanos, e que os seus conhecimentos técnicos aprendidos até aqui vão lhe deixar, no máximo, ter uma empresa mediana em qualidade, que atende clientes até onde seu braço alcança, a sua energia aguenta e a sua saúde corresponde. É não é isso que você quer, correto?

Então, o segundo passo para construir um time que transpire como você, é preciso ofertar a este time uma cultura de empresa onde se trate as pessoas como pessoas. Esse time precisa de um líder que confie, que delegue, que tenha visão, sensibilidade e controle de suas emoções. O time que age como dono não é por sorte, e sim fruto de muito investimento, paciência, equilíbrio entre exigência x recompensa, e acima, de tudo, fruto de uma empresa onde não se nega de aceitar que existem expectativas, emoções, interesses, necessidades também postas em jogo,  e que mesmo conduzindo todos na busca do resultado, não perde de vista que são pessoas humanas (sendo redundante de propósito) que estão envolvidas, tratando-as assim.

Plantadas as sementes, não de maneira mágica , você verá nascer na sua equipe duas palavras potentes e capazes de tornar qualquer funcionário um verdadeiro dono: reciprocidade e gratidão. Ninguém cuida de algo com amor se não for grato, ninguém cuidará da sua empresa como se dele(a) fosse se não tiver sentimento, vinculação e carinho envolvido. Então, semeie a consideração que sua empresa tem pelas pessoas, através de gestos de cidadania e humanidade. Assim, você verá brotar tantos donos, que o seu concorrente vai dizer que você teve sorte.

Lembre-se, o mundo corporativo é um mundo originariamente frio, mas quem aceita que só cresce quem aquece, abre as janelas para o sol entrar.

Boa reflexão!

Lize Calvano

Consultora de Líderes e de Gestão com Pessoas

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